O peso da faca
Por que decidir dói tanto?
Na última vez que nos falamos, mencionei que o Brasil não quebra por falta de competência, mas por solidão decisória. Hoje, quero dar um passo adiante e olhar para a anatomia do que chamamos de "escolha".
A palavra decisão vem do latim decidere. É uma combinação de "fora" e "cortar". Decidir é, em sua essência, um ato de violência contra as alternativas. É o momento em que você escolhe um caminho e, deliberadamente, "mata" todas as outras possibilidades.
É por isso que decidir cansa. É por isso que o final do dia de um empresário é mais exaustivo mentalmente do que fisicamente: você passou horas empunhando uma faca, cortando opções.
O medo do corte errado
O grande dilema do fundador é que, conforme o negócio cresce, os cortes ficam mais profundos. No início, você cortava o fornecedor de papelaria; hoje, você corta unidades de negócio, demite amigos ou muda a rota estratégica da década.
A solidão de que falamos não é sobre não ter ninguém no escritório. É sobre ser o único que sente o peso dessa lâmina. Se você erra o corte, a cicatriz fica na empresa, mas o sangue sai das suas mãos.
O resultado disso é um fenômeno perigoso: a hesitação disfarçada de prudência.
A paralisia da abundância
Muitos empresários estão hoje paralisados não porque não sabem o que fazer, mas porque têm medo do que precisam abandonar para seguir em frente. Acumulam processos, pessoas e produtos inúteis porque perderam a coragem de praticar a "cisão".
Uma empresa saudável não é aquela que tenta abraçar todas as oportunidades, mas aquela que possui um comando capaz de fazer cortes limpos. O problema é que ninguém nos ensina a abrir mão; só nos ensinam a conquistar.
O próximo passo
Ao longo deste ano, vamos falar muito sobre como amolar essa faca. Mas, por hoje, o meu convite é apenas para uma análise honesta do seu cenário atual:
- Quais decisões você está "cozinhando" porque ainda não teve coragem de matar as alternativas?
- O que você está mantendo vivo na sua empresa apenas para evitar o desconforto do corte?
A maturidade empresarial que buscamos em 2026 começa aqui: no entendimento de que não decidir já é uma decisão — e geralmente é a mais cara de todas.
A gente se fala em breve.